Quem tinha uma marcação no balcão de atendimento da sede da Segurança Social, em Lisboa, perto das 9:00 recebeu uma mensagem a dizer que o atendimento tinha sido desmarcado.

O serviço fechou devido à greve nacional dos assistentes técnicos, convocada para esta quinta-feira. Com ou sem marcação não houve qualquer atendimento.

“Estou cá desde as 7:00 e vinha tratar de um papel (…) mas podiam ter avisado ontem que eu já não vinha para cá tão cedo. Às 9:00 é que meteram o papel a dizer que possivelmente estão encerrados. Sou doente oncológico, tenho um problema vascular e cá estou”, explica quem se dirigiu à Segurança Social esta manhã e não foi atendido.

Os Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais pedem o início imediato das negociações e a revisão do estatuto remuneratório antes de 2027, ano apontado pelo Governo para o início da revisão das carreiras gerais da Função Pública.

“Os trabalhadores aderiram em massa, tanto que não vai haver abertura de serviços. Temos relatos um pouco por todo o país de situações semelhantes em serviços de atendimento desta natureza. Também nos hospitais, os assistentes técnicos - e há muitas marcações de consultas por fazer porque estes não estão - estão assegurados os serviços mínimos, portanto serviços de urgência e outros que tais, o que revela que trabalhadores não vai aguardar por 2027 para ver revertido aquilo que tem sido o poder de compra desde 2010”, explica Sebastião Santana, dirigente da Federação Sindical dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

Exames e consultas foram adiadas no Hospital de S. João

A greve dos assistentes técnicos levou, também, ao cancelamento de exames e consultas no Hospital de S. João, no Porto. Foram registados vários constrangimentos e muitas foram as viagens perdidas neste segundo dia de paralisação.

“Desde as 7:00 que eu estou com este senhor na estrada. Não estamos a falar de uma criança, estamos a falar de uma pessoa de 85 anos que tem problemas de alzheimer”, explica uma utente que não foi atendida.

Apesar da greve ter afetado alguns utentes, o impacto não foi visível. Mas o sindicato fala numa adesão significativa no Hospital de São João. O objetivo é chamar a atenção do Governo para a carreira dos assistentes técnicos.

“Estão três dos 25 trabalhadores que deveriam estar aqui. Estamos a falar de um impacto de cerca de 90%. Os constrangimentos para os utentes são mínimos porque as consultas vão-se realizando. Não há justificações, não há remarcações de exames nem de consultas. Mas isso ainda bem porque não é nosso objetivo prejudicar os utentes”, explica Orlando Gonçalves, Sindicato dos trabalhadores em Funções Públicas.

O objetivo é chamar a atenção do Governo para a carreira dos assistentes técnicos.

Paralisação está dividida por dias e carreiras

Este é o 2º dia de uma paralisação de três dias convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais. Quarta feira a greve foi dos técnicos superiores. A adesão rondou os 50%, com impacto pouco visíveis

Esta quinta foi dedicada aos assistentes técnicos, o último dia da semana será de greve para os assistentes operacionais, aquela que o sindicato garante que terá mais impactos visíveis « podendo até fechar escolas