
A empresa Altona, que procura matérias-primas críticas em África, anunciou ter descoberto minerais com alto teor de gálio em Monte Muambe, um vulcão inativo, na província de Tete, no centro de Moçambique.
Numa informação prestada aos mercados na terça-feira, a Altona refere que foram encontradas concentrações de até 232 gramas de gálio por tonelada, recordando tratar-se de um "metal estratégico raro e muito procurado", utilizado em aplicações eletrónicas e de alta tecnologia, como radares, díodos de luz ou semicondutores.
O Monte Muambe é um vulcão inativo, com 780 metros de altura, situado a leste de Moatize, no centro de Moçambique, tendo um diâmetro externo de seis quilómetros e uma caldeira com cerca de 200 metros de profundidade composta por carbonatitos, ricos em fluorita azul e amarela, que por sua vez contêm gálio.
O preço do gálio ronda atualmente os 250 dólares (230 euros) por quilograma, segundo a empresa, cotada na bolsa de Londres, que recorda aumentos recentes neste valor "no contexto de uma guerra comercial entre a China e os Estados Unidos".
"O gálio é considerado uma matéria-prima estratégica por várias jurisdições, incluindo a União Europeia, com a China tendo quase o monopólio da sua produção (...) A recente proibição de exportações de gálio e germânio para os Estados Unidos impulsionou o gálio para o seu preço mais alto desde 2011, de 585 dólares [541 euros] por quilograma em dezembro", afirma a Altona.
A empresa refere que a extensão total da mineralização de gálio naquele local, de prospeção de terras raras com potencial, permanece "desconhecida e será avaliada como parte da próxima campanha de trabalho de campo", em que "verificará a potencial recuperabilidade do gálio".
A Altona acrescenta que aguarda o resultado de amostras retiradas do local, enviadas para análise no Zimbábue, processo que enfrentou "dificuldades logísticas causadas pela instabilidade pós-eleitoral em Moçambique, que agora diminuiu".
"Os resultados desses testes são esperados durante o curso de abril", assume ainda.
Citado na informação ao mercado, o diretor executivo da Altona, Cedric Simonet, afirma que esta descoberta "é um desenvolvimento positivo" e "sustenta o potencial para descobertas adicionais em Monte Muambe".
"Enquanto o trabalho atual sobre o potencial para produção de fluorita de curto prazo continua, inicialmente avaliaremos cuidadosamente a possibilidade de recuperar gálio como um subproduto de terras raras e/ou fluorita, e a extensão potencial da mineralização de gálio no nível da superfície", acrescenta Simonet.