
O anúncio da inscrição, hoje publicado em Diário da República, aconteceu na sequência de uma candidatura apresentada em junho de 2023 pela Câmara de Tondela.
"É o culminar de um importante trabalho de mérito desenvolvido pelo município, com o apoio da Junta de Freguesia de Molelos e os nossos sete oleiros e ceramistas, e que vem afirmar ainda mais a louça preta de Molelos, que é atualmente a maior comunidade ativa de barro negro em Portugal", frisou a presidente da Câmara de Tondela, Carla Antunes Borges.
Segundo a autarca, "esta classificação é determinante para a preservação e valorização deste património secular, mas também da soenga", que é a mais antiga forma de cozer louça em Molelos (numa cova circular aberta na terra que funciona como forno).
"Com a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, o barro negro deixa de ser um bem de Molelos e de Tondela e passa a ser um património nacional, que terá de ser protegido por todos", sublinhou.
Carla Antunes Borges disse ainda que a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial também vem reconhecer o esforço feito pelos oleiros e ceramistas "que, ao longo de décadas, lutam por manter viva esta tradição secular, fazendo dela o seu modo de subsistência".
Em Molelos, sete oleiros e ceramistas mantêm viva esta tradição. Se antigamente esta louça era exclusivamente utilitária, a nova geração de oleiros enveredou pela modernidade, ancorando-se nos saberes e técnicas tradicionais transmitidos pelos antigos artesãos, mas apostando na inovação, no aperfeiçoamento técnico e numa abordagem mais criativa.
Desde março de 2024 que o Barro Negro de Molelos é um produto artesanal certificado, encontrando-se inscrito no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas, também na sequência de um processo liderado pela autarquia.
Carla Antunes Borges congratulou-se por mais este reconhecimento para o concelho, que assim passará a ter dois bens classificados como património imaterial nacional, juntando-se o Barro Negro de Molelos à Festa das Cruzes do Guardão, cuja decisão foi conhecida em janeiro.
"Este sempre foi o nosso objetivo: lutar pela preservação e valorização da nossa cultura e pelo que temos de melhor", realçou.
A autarca acrescentou que o executivo continua a lutar pela promoção do território, das suas gentes e cultura e, nesse âmbito, está "a concluir também a candidatura das Construções de Pedra Seca do Caramulo ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial", um processo que conta também com municípios vizinhos.
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