O Canadá vai contestar perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) as novas taxas alfandegárias impostas pelos Estados Unidos, disse este domingo uma fonte do Governo.

"O Governo canadiano considera que estes direitos aduaneiros constituem uma violação dos compromissos" dos Estados Unidos com a OMC e com o acordo de comércio livre que os vincula, o Acordo Canadá-Estados Unidos-México (CUSMA, na sigla em inglês), indicou, citado pela agência France-Presse.

Acrescentou que Ottawa vai também apresentar um recurso no quadro deste tratado.

No sábado, o Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para a aplicação de taxas aduaneiras aos produtos provenientes do Canadá, do México e da China, a partir de terça-feira, dando início ao que foi encarado como uma "guerra comercial" pelo Canadá.

O decreto presidencial determina a imposição de tarifas de 10% à China, de 25% ao México e de 25% ao Canadá, exceto no petróleo canadiano, que terá tarifa de 10%.

Pequim também já anunciou que vai apresentar uma queixa contra Washington junto da OMC, pelo que chamou de "imposição unilateral de taxas alfandegárias em grave violação das regras" da organização.

O Canadá divulgou hoje a primeira lista de 1.256 produtos norte-americanos - como cosméticos, pneus, ferramentas, mobiliário, café, vinho, produtos lácteos e fruta - que serão afetados por taxas alfandegárias a partir de terça-feira, o primeiro passo na aplicação de medidas de retaliação.

Uma segunda lista de produtos deverá ser anunciada nas próximas semanas, num montante total de até 155 mil milhões de dólares canadianos (106 mil milhões de dólares).

"A nossa esperança é que as decisões que já tomámos sejam suficientes para persuadir os Estados Unidos a abandonar o caminho errado que escolheram e a contactar-nos para trabalharmos juntos" para restabelecer as relações, disse a mesma fonte.

Em caso contrário, referiu que o Governo canadiano está a considerar "uma série de medidas adicionais".

A União Europeia lamentou hoje o aumento das taxas aduaneiras pelos Estados Unidos da América sobre produtos do Canadá, México e China, e disse que retaliará fortemente se também for alvo de tarifas injustas.

"A UE acredita firmemente que direitos aduaneiros baixos promovem o crescimento e a estabilidade económica", disse a Comissão Europeia em comunicado, através do qual considerou a imposição de mais tarifas pelos EUA como "nocivas para todas as partes".

Já se o bloco europeu for também alvo dessas medidas "injustas", o executivo comunitário "retaliará fortemente".