
Li Wei, professor de relações internacionais na Universidade Renmin, no norte de Pequim, afirmou que a potência que conseguir obter o apoio do maior número de países "sairá vitoriosa da competição".
Xu Qiyuan, vice-diretor do Instituto de Economia e Política Mundial da Academia Chinesa de Ciências Sociais, defendeu que o aumento do consumo doméstico é fundamental para a China melhorar a posição na economia global.
"Se a China se tornar um grande importador líquido global como os EUA - fornecendo procura a todo o mundo - as nossas relações com muitas economias deixarão de ser competitivas e passarão a ser complementares", acrescentou.
As observações foram feitas durante um seminário virtual organizado pelo grupo de reflexão ('think tank') do Fórum Macroeconómico da China, na sequência das taxas alfandegárias impostas pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
Trump anunciou na quarta-feira novas taxas sobre quase todos os parceiros comerciais dos EUA, incluindo um imposto de 34% sobre as importações da China e 20% sobre a União Europeia, que ameaçam desencadear guerras comerciais mais amplas.
Trump disse que as taxas são sobretudo dirigidas a dezenas de nações que têm excedentes comerciais significativos com os Estados Unidos e impôs um imposto de base de 10% sobre as importações de todas as nações, em resposta ao que chamou de "emergência económica".
Li Wei apelou a Pequim para que "faça o maior número possível de amigos e o menor número possível de inimigos" na sua competição com Washington, evocando um apelo do fundador da República Popular da China, Mao Zedong (1893--1976).
A guerra comercial de Washington visa sobretudo Pequim. Trump impôs anteriormente taxas de 20% sobre todas as importações oriundas da China. No seu primeiro mandato (2017-2021), ele impôs 25% de taxas alfandegárias adicionais sobre centenas de milhares de milhões de dólares de bens comprados ao país asiático.
Na semana passada, Washington classificou a China como a principal ameaça militar e cibernética e proibiu a exportação de tecnologia para mais de 50 empresas chinesas.
O principal diplomata chinês, Wang Yi, alertou para o facto de as relações bilaterais se encontrarem "numa fase crítica da sua evolução" e instou os Estados Unidos a evitarem juízos errados sobre as relações.
No entanto, os analistas chineses também veem vantagens para a China na disrupção provocada por Trump no papel que os EUA ocupam nos assuntos internacionais, ao alienar os principais aliados. A abordagem transacional de Trump na diplomacia levanta questões sobre a unidade do bloco ocidental e a fiabilidade de Washington.
Pequim intensificou já a aproximação a outros atores importantes na cena mundial. Exemplos recentes incluem o primeiro diálogo económico trilateral entre a China, o Japão e a Coreia do Sul em cinco anos, bem como as visitas a Pequim do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noel Barrot, e do comissário do Comércio da União Europeia, Maros Sefcovic.
Li argumentou que as medidas da administração Trump parecem caóticas, ao mesmo tempo que infligem danos duradouros e profundos à política norte-americana e à sua liderança global.
"Devemos reduzir a nossa atenção nos EUA", afirmou. "Muito do que Trump está a fazer agora é auto - sabotagem. Devemos avançar ao nosso próprio ritmo, desenvolvermo-nos bem é a melhor resposta", disse, acrescentando que a China deve evitar ser "conduzida pelos EUA".
Xu Qiyuan concordou que a China deve evitar uma abordagem "olho por olho" em matéria de taxas alfandegárias.
"Não devemos cair na narrativa do outro lado", disse.
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