
No Orçamento do Estado para 2025, o Governo estimou um excedente de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, em contabilidade nacional, a que conta para Bruxelas, sendo que são já conhecidos os dados sobre a execução orçamental em contabilidade pública (numa ótica de caixa), que ficou acima do esperado.
Segundo a Direção Geral do Orçamento, em contas públicas, o Estado registou um excedente de 354,1 milhões de euros em 2024, acima das previsões, que apontavam para um défice de 1.495 milhões de euros.
Para o economista da Oxford Economics Ricardo Amaro "é bastante provável que o excedente de 0,4% venha a ser superado", nomeadamente tendo em conta que "o excedente orçamental de 0,1% do PIB na ótica de contabilidade pública foi acima do esperado pelo Governo em cerca de 0,5 pontos percentuais", segundo indica à Lusa.
"Um desvio equivalente em contabilidade nacional, que é a que realmente interessa, deixaria o saldo orçamental perto de 1%", sinaliza, ainda que essa conversão seja "apenas indicativa, já que os critérios contabilísticos são diferentes, o que pode gerar algumas surpresas".
O BPI Research também aponta para valores próximos de 1%, destacando numa nota de análise que "a execução em contabilidade pública permite tirar algumas conclusões sobre como terá ficado o saldo orçamental em contabilidade nacional (valores oficiais)".
Os analistas do banco estimam que "o saldo orçamental na ótica oficial (contabilidade nacional) terá ficado em torno de 1,0% do PIB, ou seja, 0.6 p.p. acima da estimativa do Governo".
Já o coordenador do NECEP -- Católica Lisbon Forecasting Lab, João Borges de Assunção, também aponta à Lusa que "um saldo orçamental de cerca de 0,4% do PIB nominal é consistente com toda a informação pública disponível até ao momento", admitindo que "pode até ter sido ligeiramente melhor tendo em conta o bom desempenho da economia no último trimestre do ano passado".
Algumas instituições tinham também previsto um excedente acima do esperado, como é o caso do Conselho das Finanças Públicas, que estimava em setembro um saldo de 0,7% do PIB, ou o Banco de Portugal e a Comissão Europeia, que apontavam para 0,6% no final do ano passado.
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