A Ucrânia qualificou hoje como falsas as afirmações da Rússia de que as forças armadas ucranianas teriam atacado, na última noite, 14 instalações energéticas em solo russo, apesar da trégua acordada entre Moscovo, Kiev e Washington.

"O Ministério da Defesa russo está novamente a espalhar falsas declarações sobre a alegada 'violação' dos acordos de cessar-fogo da Ucrânia em instalações de energia", disse o Estado-Maior ucraniano, num comunicado na sua conta da rede social Telegram.

Acusando a Rússia de o fazer "apenas para desviar a atenção do mundo dos crimes que está a cometer contra a Ucrânia e os ucranianos", o Estado-Maior alegou que as forças de defesa "realizam ataques exclusivamente contra alvos militares do exército de ocupação russo".

"Em contrapartida, são os invasores russos que continuam a demonstrar a sua natureza insana, ignorando cinicamente qualquer acordo e realizando ataques impiedosos contra as infraestruturas civis ucranianas e contra cidades e aldeias comuns", sublinhou.

O Estado-Maior ucraniano recordou que, na sexta-feira, um míssil balístico russo com uma ogiva de fragmentação matou 19 pessoas, incluindo nove crianças, numa zona residencial na cidade natal do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

Além disso, adiantou que, nas últimas 24 horas, o exército russo atacou a Ucrânia com 92 'drones' Shahed, lançou 171 bombas aéreas guiadas e utilizou a artilharia 6.353 vezes.

Como resultado dos ataques, foram danificadas instalações civis e infraestruturas críticas nas cidades de Sumy, Kharkov, Dnipropetrovsk, Poltava, Kiev, Zaporijia, Kherson, Chernobyl, Zhitomyr e outras regiões da Ucrânia, acrescentou.

A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 e, em setembro, declarou a anexação das regiões de Donetsk, Lugansk (leste), Zaporijia e Kherson (sul), apesar de não as controlar totalmente.

A Federação Russa já tinha anexado a península ucraniana da Crimeia em 2014.

A Ucrânia e a comunidade internacional não reconhecem a soberania russa nas cinco regiões.