
Morreu o ex-arcebispo Theodore McCarrick, destituído pelo Papa Francisco em 2019 numa sanção quase sem precedentes na história da Igreja para um membro do alto clero.
O anúncio da morte de McCarrick, aos 94 anos de idade, foi feito pelo arcebispo de Washington, Robert McElroy.
Depois de uma investigação interna do Vaticano ter considerado McCarrick culpado de ter molestado sexualmente pelo menos uma adolescente de 16 anos em 1974, e de ter-se envolvido em comportamento sexual impróprio com seminaristas adultos, o Papa Francisco destituiu o ex-arcebispo em 2019, numa sanção quase sem precedentes para um cardeal na história da Igreja.
Em 2023, um juiz norte-americano decidiu que McCarrick não reunia condições para ser julgado, depois de a acusação e a defesa concordarem que o antigo clérigo, de 93 anos, sofria de demência.
A ação pela acusação de abuso sexual de um adolescente em Massachusetts, há décadas, foi considerada improcedente.
Foi também acusado de ter molestado sexualmente um jovem de 18 anos no Wisconsin, há mais de 45 anos.
Os advogados de McCarrick pediram ao tribunal que arquivasse o processo, dizendo que um professor de psiquiatria e ciências comportamentais da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins o tinha examinado e concluído que padecia de demência.
Na altura, os advogados disseram que McCarrick tinha uma "compreensão limitada" sobre o processo penal que lhe foi movido.
McCarrick, que vivia no Missouri, foi alvo de três acusações de atentado ao pudor e agressão e não ficou isento de enfrentar essas acusações de há décadas, porque o prazo de prescrição foi interrompido quando deixou o Estado de Massachusetts.
O relatório do Vaticano sobre a investigação a McCarrick atribuiu responsabilidades ao Papa João Paulo II, que nomeou McCarrick arcebispo de Washington, D.C., em 2000, apesar de na altura ter pedido um inquérito que concluiu que o clérigo norte-americano havia dormido com seminaristas.
Segundo o documento, João Paulo II acreditou num desmentido de McCarrick, redigido à última hora: "Cometi erros e às vezes posso ter faltado à prudência, mas nos setenta anos da minha vida nunca tive relações sexuais com nenhuma pessoa, homem ou mulher, jovem ou velho, clérigo ou leigo", escreveu McCarrick.
A luta contra a violência sexual na Igreja constitui um dos projetos do pontificado de Francisco, que defende uma política de "tolerância zero" face à multiplicação dos escândalos, ao mesmo tempo que reconhece que a Igreja deve "fazer mais" contra o flagelo.