
O Presidente russo, Vladimir Putin, propôs hoje uma administração de transição para a Ucrânia sob a égide da ONU, o que implicaria o afastamento do líder ucraniano Volodymyr Zelensky, antes de quaisquer negociações de paz.
Falando à tripulação de um submarino nuclear russo em Murmansk (noroeste), Putin reafirmou que Zelensky, cujo mandato expirou no ano passado, não tem legitimidade para assinar um acordo de paz.
A Constituição ucraniana proíbe a realização de eleições enquanto a Ucrânia estiver sob lei marcial, que está em vigor desde que a Rússia invadiu o país, em fevereiro de 2022.
Putin afirmou que qualquer acordo assinado com o atual governo ucraniano poderá ser contestado pelos seus sucessores.
"Sob os auspícios das Nações Unidas, com os Estados Unidos, mesmo com os países europeus, e, claro, com os nossos parceiros e amigos, poderíamos discutir a possibilidade de introduzir uma governação temporária na Ucrânia", disse Putin, citado pela agência norte-americana AP.
Tal solução, segundo Putin, permitiria à Ucrânia "realizar eleições democráticas, levar ao poder um governo viável que gozasse da confiança do povo e, em seguida, iniciar negociações com eles [as novas autoridades] sobre um tratado de paz".
Os comentários de Putin surgiram horas depois de uma cimeira organizada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, que considerou planos para enviar tropas para a Ucrânia para cimentar um eventual acordo de paz.
Macron disse no final da cimeira de quinta-feira em Paris que vários países concordaram em fazer parte da força ao lado da França e do Reino Unido.
Uma missão franco-britânica deverá deslocar-se à Ucrânia "nos próximos dias", segundo Macron.
A Rússia avisou que não aceitará tropas de membros da NATO como parte de uma futura força de manutenção da paz.
A Rússia e a Ucrânia concordaram com uma trégua provisória aos ataques às infraestruturas energéticas, mediada pelos Estados Unidos, mas rapidamente se acusaram mutuamente de violações, ilustrando as dificuldades de uma negociação de paz mais alargada.
No encontro com os marinheiros, Putin declarou que as forças armadas russas "ganharam força" e estão agora a realizar ofensivas ao longo de toda a linha da frente.
Referiu que a Rússia está aberta a uma solução pacífica, mas insistiu na necessidade de "eliminar as causas profundas que conduziram à situação atual".
"Precisamos certamente de garantir a segurança da Rússia numa longa perspetiva histórica", afirmou.
Putin exigiu que Kiev retire as suas forças das quatro regiões parcialmente ocupadas por Moscovo.
Quer também que a Ucrânia renuncie a aderir à NATO, reduza drasticamente o exército e proteja legalmente a língua e a cultura russas.
Moscovo também afirmou que qualquer possível acordo de paz deve envolver o descongelamento dos ativos russos no Ocidente e o levantamento de outras sanções dos Estados Unidos e da União Europeia.
A administração do Presidente Donald Trump admitiu considerar a possibilidade de aliviar as sanções impostas pelos Estados Unidos.
Na cimeira de Paris, os aliados europeus da Ucrânia recusaram aliviar as sanções e admitiram mesmo reforçá-las.