Quase um ano depois de ter rebentado o caso de doping que atingiu Jannik Sinner, número 1 do ranking ATP, Umberto Ferrara, o então preparador físico do italiano, que esteve no centro da polémica, decidiu falar sobre o tema.

Ferrara confirmou a história utilizada na defesa de Sinner, de que era dele o spray que contaminou o tenista por via indireta, através dos tratamentos prestados pelo fisioterapeuta Giacomo Naldi. Os dois responsáveis, recorde-se, foram depois despedidos da equipa técnica de Sinner.

«Utilizo o spray Trofodermin há vários anos, prescrito por um especialista, como parte do tratamento de uma doença crónica de que sofro. Estava totalmente ciente da sua proibição [em desportistas] e sempre mantive o spray na minha bagagem pessoal com todo o tipo de cuidados», começou por declarar, numa entrevista à Gazzetta dello Sport.

O erro, de acordo com Ferrara, foi cometido pelo fisioterapeuta Giacomo Naldi, a quem ele tinha emprestado o medicamento para cicatrizar uma ferida.

«Sugeri que ele utilizasse porque a ferida que tinha no dedo estava com dificuldades em cicatrizar e tornava o trabalho dele mais difícil», garantindo que tinha alertado o fisioterapeuta para os perigos de contactar com Sinner após a utilização do spray.

«Alertei claramente para as implicações que aquilo tinha e que, em caso algum, podia entrar em contacto com o Jannik. Até lhe disse que só o deixava usar na minha casa de banho pessoal. Tanto que ele não negou ter sido avisado, apenas disse que não se recordava», aponta.

O profissional que trabalhava com o italiano desde 2022 lamenta os rumores que o foram apontando como responsável pela suspensão de Sinner – imposta posteriormente – revelando ter sido ele a permitir rapidamente reconstruir a forma como as coisas tinham sucedido, e que foi usado na defesa do tenista.

«Sofri um grave dano na minha reputação, tanto em termos pessoais como profissionais. Quando soube do teste positivo e que a substância era clostebol, fiz imediatamente a associação com o meu spray. E conseguimos perceber, passo a passo, como tinha acontecido a contaminação do Jannik», acrescenta.

No meio de todo o processo, e apesar de ter sido despedido pela equipa de Sinner, Umberto Ferrara deixa muitos elogios ao comportamento do jovem tenista.

«Apesar dos 23 anos, ele mostrou uma extraordinária maturidade na forma como lidou com a situação, acredito eu, sustentada pela forte convicção de ter a certeza como as coisas aconteceram. Tenho muita pena de como terminou a nossa relação profissional. Foi um enorme prazer trabalhar com ele», terminou.