Quando André Villas-Boas esteve no Tribunal de São João Novo para depor enquanto assistente no julgamento da Operação Pretoriano, a defesa de Fernando Saul, um dos 12 arguidos do caso, apresentou um requerimento para que seja acrescentada à prova um vídeo que, acredita, poderia "descredibilizar" André Villas-Boas. Ora, segundo um documento ao qual Record teve acesso, as advogadas do FC Porto já responderam ao tribunal sobre o assunto, mostrando total disponibilidade para que o tal vídeo seja acrescentado ao processo. 

"Declaram que não se opõem à junção aos autos do vídeo, na medida em que a respetiva junção pode revelar-se importante para demonstrar o tipo de argumentação falaciosa que tem vindo a ser utilizada pelas defesas", pode ler-se na parte final do documento, acrescentando que, se o vídeo for aceite pela juíza, "a prova ora junta neste requerimento seja igual e devidamente valorada nos presentes autos para os devidos efeitos legais".

Além disso, as advogadas do FC Porto consideram que uma nova chamada de André Villas-Boas ao tribunal "não terá qualquer utilidade", uma vez que as declarações que já prestou "são inequívocas e jamais poderão ser interpretadas como o foram pela defesa de Fernando Saul salvo, eventualmente, por quem esteja ligado a comportamentos como aqueles a que os arguidos incitam no sentido da utilização de cartões de sócios por outros sócios".

Nesse sentido e para dar contexto, a defesa de Fernando Saul entende que André Villas-Boas incentivou sócios que não pudessem votar nas eleições que pedissem a alguém que fosse no seu lugar. Ora, o vídeo em questão foi gravado em plena campanha eleitoral, mais precisamente numa visita a Arouca, sendo que o agora presidente do FC Porto falou "perante a imprensa, num evento público". As palavras da discórdio são as seguintes: "Dia 27 de abril serão, sem dúvida, as eleições mais votadas de sempre do FC Porto. Portanto, não hesitem em exercer o vosso direito de voto. Se não podem exercê-lo pore terem esses compromissos familiares, convençam alguém que possa ir por vocês e que também estava hesitante, mas que esteja disponível, e exerçam-no em direito e liberdade no que acreditam."

No entender das advogadas do FC Porto, "André Villas-Boas evidentemente não estava a solicitar, perante a imprensa e o público em geral, que sócios transmitissem os seus cartões a terceiros, mas antes simplesmente a apelar aos sócios do FC Porto que pretendessem votar, mas que por motivos familiares se vissem impedidos de o fazer, que convencessem os sócios hesitantes mas desimpedidos de votar, a exercerem o seu direito de voto". Mais, as representantes do FC Porto, referem que a defesa de Fernando Saul fez uma "interpretação absolutamente inadmissível e desleal" das declarações de André Villas-Boas, considerando que isso mesmo "corresponde a uma deturpação só cogitável por quem, efetivamente, apelou à utilização de cartões de sócios que não são deles".  

Segundo foi possível apurar, o coletivo de juízes ainda não decidiu sequer se vai juntar o vídeo ao processo, pelo que ainda não há decisão sobre se André Villas-Boas terá ou não de voltar ao Tribunal de São João Novo.