- Fica algum sentimento de tristeza por não ter treinado um grande? Chegou a ter a porta aberta em algum deles?

- Tive nos três. Eu nunca gostei de falar muito sobre isso, porque eu não treinei um dos grandes por culpa minha, não por culpa deles. Não vejam aqui qualquer antipatia em relação aos grandes.

- Então porquê?  

- Eu tenho cabeça para pensar e quando me fizeram os convites - não sei se pensei errado - entendi que não era o lugar que eu queria. Pela primeira vez, no dia em que faleceu Pinto da Costa disse que tinha uma boa recordação dele, porque teve a bondade de me convidar para treinador do FC Porto, mas não fui. Porquê? Porque achei que não era bom para mim. Tal como achei em relação ao Benfica e ao Sporting. Não vejam nisso vaidade e de alguém que tem na mania que é importante. Não. Ficamos claros de uma vez: tive convites e não fui por ser burro. Assim fica mais fácil perceberem.  

- E quando aconteceram esses convites?  

- Por exemplo, em 2004 fui convidado pelo Benfica. É preciso olhar o que era o Benfica nessa altura e o que é agora. Mudava de treinadores de seis em seis meses e sabia que ia tirar umas fotografias e depois era despedido. Ficava no currículo. No Sporting foi em 2009, estava eu no Dubai. Se gostava? Claro que sim, mas não fui. Tal como não fui selecionador por coisas que ninguém entende… mas que eu entendo.  

- E foi convidado para ser selecionador?

- Não. Mas sei que o meu nome esteve em cima da mesa com o do Luís Aragonês e com o do Paulo Bento, que foi o escolhido.  

Leixões encravado em Braga e o roubo de Basileia

- Qual foi a derrota que custou mais a digerir?

- Ter perdido [1-3, em 01/02] com o Leixões [treinado por Carlos Carvalhal] em Braga numa meia-final da Taça de Portugal. Foi claramente o meu pior momento no SC Braga. Nesse ano fizemos quatro ou cinco jogos-treino com eles, e até alguns com a equipa B, e ganhámos sempre. E nesse perdemos, mas há razões mais do que suficientes: três meses antes venderam o Tiago, o Ricardo Rocha e o Armando. E o Quim esteve castigado pela palhaçada do controlo antidoping, quando não estava dopado. Recordo-me perfeitamente que não tive a noção do terreno que pisei. Acho que tive uma branca total, porque aquilo custou muito. E o que mais me custou ainda foi ter de proteger a minha direção à saída.  

- Há mais alguma?  

- Sim, o roubo enorme de Basileia [2008/09, golo anulado a Roberto, que fazia o 2-2 a apurava os vitorianos] com o Vitória de Guimarães e o prejuízo que provocou o não apuramento para fase de grupos da Liga dos Campeões. Nunca irei esquecer porque cortou parte do meu projeto e prejudicou de forma irrecuperável o Vitória.  

- Quem foi o melhor jogador que treinou?

- Por uma questão de justiça e para me defender a mim próprio, no dia em que eu disser que o melhor foi este, se calhar dez/doze ou vinte que trabalharam comigo, vão ficar aborrecidos. Se apontasse um, seria injusto com uma série deles. Dos jogadores que passaram por mim, trinta e três fizeram comigo a sua estreia como internacionais A. Lembro, por exemplo, do Silas, que foi internacional quando jogava na UD Leiria, uma coisa impensável nessa altura.