"A antiga relação que tínhamos com os Estados Unidos, baseada na profunda integração das nossas economias e na estreita cooperação em matéria de segurança e defesa, acabou", afirmou, numa conferência de imprensa.

No entanto, especificou que deverá manter conversações com o Presidente dos EUA, Donald Trump, dentro de "um ou dois dias", a pedido de Washington.

Na quarta-feira, o Presidente norte-americano anunciou a sua intenção de impor direitos aduaneiros de 25% sobre as importações de automóveis. Esta medida viria juntar-se às tarifas já impostas por Washington sobre o aço e o alumínio.

"Oponho-me a qualquer tentativa de enfraquecer o Canadá, de nos dividir para que a América nos possa possuir, isso nunca acontecerá", declarou, prometendo ripostar.

"Combateremos as tarifas americanas com ações comerciais de retaliação que terão um impacto máximo nos Estados Unidos e um impacto mínimo aqui no Canadá", acrescentou o novo primeiro-ministro, que tomou posse há menos de duas semanas.

Carney, que convocou eleições antecipadas, interrompeu a sua campanha na tarde de quarta-feira, na sequência dos novos anúncios de Donald Trump, para se encontrar com os primeiros-ministros das províncias canadianas.

O chefe do Governo insistiu hoje no "respeito" que o Presidente norte-americano deve demonstrar para que seja possível um diálogo.

"Para mim, há duas condições, não necessariamente para um telefonema, mas para uma negociação com os Estados Unidos. A primeira é o respeito, o respeito pela nossa soberania enquanto país", declarou.

Por outro lado, acrescentou: "Tem de haver uma discussão global entre nós os dois, incluindo no que respeita à nossa economia e à nossa segurança".

Os dois líderes não trocaram telefonemas desde que Carney assumiu o cargo, substituindo Justin Trudeau, a 14 de março.

Carney prometeu "construir uma nova economia canadiana", nomeadamente através da eliminação das barreiras alfandegárias existentes entre as províncias canadianas.

O primeiro-ministro canadiano vai esperar até à próxima semana para anunciar medidas concretas, mas, para já, garantiu que o Canadá terá de reduzir "drasticamente" a sua dependência do vizinho do Sul e procurar novos parceiros comerciais "fiáveis".

No entanto, o sucessor de Justin Trudeau reconheceu que a construção de um "Canadá mais forte, mais livre e eterno" será complicada, admitindo que "não existe uma solução milagrosa ou um atalho" para o conseguir.

 

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