Os quatro arguidos na sequência da Operação 'Zelador', que investigou agressões ao vigilante do condomínio onde reside André Villas-Boas, foram esta quinta-feira condenados a penas de prisão efetiva.

O acórdão, cuja leitura decorreu no Tribunal São João Novo, no Porto, o presidente do coletivo de juízes explicou que as penas são todas efetivas porque as agressões ao zelador "não são toleráveis".

"O grau de intensidade da violência exercida sobre a pessoa ofendida não é tolerável, não podemos tolerar isso, por isso, a mensagem tem de ser firme", afirmou o magistrado, depois de anunciar penas entre quatro anos e seis meses e seis anos de prisão para os condenados, três dos quais, recorde-se, com idades compreendidas entre os 18 e os 22 anos .

Devido às lesões sofridas, o coletivo de juízes fixou a indemnização ao zelador em 25 mil euros, valor esse que ainda é provisório porque ainda está em tratamento.

O magistrado recordou ainda que dois dos agressores já têm condenações no cadastro, mostrando ter personalidades "adversas ao direito".

O Tribunal salienta que o que aconteceu "é intolerável e inadmissível" e que é preciso enviar uma "mensagem aos jovens, uma mensagem muito forte de que a comunidade não pode tolerar quando crimes têm consequências graves" como as deste caso - os agressores partiram vários ossos da cabeça e o septo nasal ao zelador que, passado um ano e quatro meses, ainda não está curado, tendo ainda lesões.

O que se passou a 22 de novembro

Segundo a acusação, os quatro suspeitos, entre os 18 e 22 anos, combinaram entre si na madrugada de 22 de novembro de 2023, de se apropriarem "do máximo" de objetos e dinheiro que conseguissem e vandalizar carros e lojas comerciais na cidade do Porto "recorrendo mesmo a agressões físicas".

Desta forma, em vários locais do Porto, em especial na zona da Foz, os arguidos apoderaram-se de bens e dinheiro do interior de dois estabelecimentos comerciais e de vários automóveis, além de os danificarem com recurso a um martelo, salienta.

Ainda durante essa madrugada, os suspeitos deslocaram-se até à residência do agora presidente do FC Porto, André Villas-Boas, que à data ainda candidato à liderança da presidência dos 'dragões', e agrediram o zelador do condomínio e furtaram-lhe o telemóvel e carro que usaram para praticar alguns dos furtos.

Neste processo, dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto, investigaram-se também outros ilícitos criminais, como assaltos na zona da Foz do Porto e "ligações" com a 'Operação Pretoriano', ao abrigo da qual o líder da claque Super Dragões, Fernando Madureira, e outro arguido permanecem em prisão preventiva, pelos incidentes ocorridos durante a Assembleia Geral do FC Porto, realizada na noite de 13 de novembro de 2023.

Com LUSA

[Notícia atualizada às 16:14]