
Um reator experimental de fusão nuclear na China atingiu pela primeira vez temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius (ºC) simultaneamente em iões e eletrões, informou esta quinta-feira um jornal de Hong Kong.
A temperatura recorde foi atingida em março no HL-3, um reator 'tokamak' (máquina em forma de 'donut' que utiliza campos magnéticos poderosos para confinar plasma sobreaquecido) localizado na cidade de Chengdu, sudoeste da China, informou o diário South China Morning Post.
A instalação na capital da província chinesa de Sichuan alcançou a temperatura de 117 milhões de graus Celsius para eletrões, dois parâmetros considerados essenciais para atingir as condições necessárias para uma reação de fusão nuclear estável, processo que promete a produção de eletricidade de forma segura, limpa e inesgotável.
A fusão nuclear reproduz o processo que ocorre no interior do Sol, através da união de dois isótopos de hidrogénio - o deutério e o trítio - para formar hélio e libertar uma grande quantidade de energia.
Ao contrário da fissão, não produz resíduos radioativos de longa duração e é considerada uma potencial solução de energia no futuro.
"A experiência atingiu o que chamamos 'o dobro dos 100 milhões de graus'", disse Zhong Wulu, principal responsável pela conceção do HL-3, citado por meios de comunicação social estatais chineses.
O HL-3 é operado pelo Instituto de Física do Sudoeste, integrado na Companhia Nacional de Energia Nuclear da China, e faz parte dos projetos associados ao Reactor Termonuclear Experimental Internacional (ITER), em construção em França.
Ao contrário de outras conquistas recentes na área da fusão nuclear, como a do reator EAST (também na China), que atingiu 160 milhões de graus em eletrões em 2021, ou a do reator WEST em França, que manteve plasma estável durante mais de 22 minutos em fevereiro, o HL-3 concentrou-se em atingir temperaturas extremas em ambos os principais componentes do plasma - iões e eletrões - simultaneamente.
Este tipo de condições são consideradas relevantes para futuros reatores capazes de gerar energia de forma contínua e eficiente.
Segundo os investigadores, o HL-3 utilizou feixes de partículas de alta energia e geradores de micro-ondas para aquecer o plasma, juntamente com sistemas de controlo desenvolvidos localmente que melhoraram a sua estabilidade e desempenho.