
O Ministério Público espanhol manteve esta quinta-feira o pedido de quatro anos e nove meses de prisão para o treinador Carlo Ancelotti, por fraude fiscal, cometida durante a primeira passagem pelo comando técnico do Real Madrid.
Ancelotti, de 65 anos, é acusado de não ter declarado ao Fisco espanhol rendimentos superiores a um milhão de euros, provenientes dos direitos de imagem, nos exercícios fiscais de 2014 e 2015, depois de ter sucedido ao português José Mourinho como treinador dos madrilenos.
Na quinta-feira, o treinador declarou no Tribunal Superior de Justiça de Madrid que nunca pensou estar a cometer fraude fiscal e enfatizou que foi o Real Madrid que propôs o sistema remuneratório, já utilizado por José Mourinho, também julgado - e condenado - pela justiça espanhola.
O advogado de Ancelotti pediu a absolvição do técnico italiano ou, caso seja considerado culpado, que sejam aplicadas circunstâncias atenuantes de reparação do dano, uma vez que já liquidou o valor em dívida: 386.361 euros relativos a 2014 e 675.718 euros a 2015.
O procurador sustentou que Ancelotti não pode beneficiar de circunstâncias atenuantes, uma vez que, apesar de ter depositado 1,4 milhões de euros (correspondentes ao valor em dívida, juros e multas), só o fez em 27 de dezembro de 2021, após um processo de execução da Autoridade Tributária.
"Não se trata apenas de dizer que a dívida foi liquidada, mas de atender à forma como foi liquidada", observou o procurador, defendendo que Ancelotti deve ser condenado à pena de quatro anos e nove meses de prisão e ao pagamento de 3.186.237 euros de multa.
O treinador italiano regressou em 2021 ao clube da capital espanhola, no qual ainda permanece, com um currículo em que se destaca a conquista de três edições da Liga dos Campeões e de dois títulos de campeão de Espanha, considerando as duas passagens no comando dos merengues.
José Mourinho, que orientou o Real Madrid entre 2010/11 e 2012/13, também respondeu perante a justiça espanhola, em 2019, tendo sido condenado a um ano de prisão, com pena suspensa, e ao pagamento de quase dois milhões de euros de multa, por dois crimes de fraude fiscal, após acordo com a Autoridade Tributária.