
O Paris Saint-Germain cumpriu este sábado a formalidade de se sagrar tetracampeão francês, a seis jornadas no fim do campeonato e com a ajuda inestimável de quatro futebolistas portugueses, virando agora a atenção para a conquista inédita da 'Champions'.
Sem qualquer derrota nos 28 jogos disputados na Ligue 1 de 2024/25 e com apenas cinco empates concedidos (dois dos quais com o Reims, que até pode ser despromovido sem ter perdido com o crónico campeão), o PSG venceu em casa o Angers, por 1-0, com um golo de Doue (55 minutos), e pôde festejar com seis jogos por disputar.
Pouco mais de uma década foi quando bastou para o PSG saltar de uma posição subalterna para o topo da lista de vencedores da Liga francesa, com um total de 13 títulos conquistados (11 dos quais nas últimas 13 épocas), mais três do que o Saint-Étienne, o segundo clube mais titulado.
O emblema na qual alinham os internacionais portugueses Nuno Mendes, João Neves, Vitinha e Gonçalo Ramos apenas deixou escapar o cetro duas vezes desde 2013: em 2017, para o Mónaco, treinado pelo português Leonardo Jardim, e em 2021, para o Lille, também com um respeitável contingente de jogadores lusos.
Os monegascos ainda ousaram ameaçar a supremacia do PSG, mas a igualdade entre ambos no comando, à passagem da oitava jornada, marcou o fim da oposição interna e os parisienses cruzaram a primeira volta com a confortável vantagem de sete pontos sobre o segundo classificado, posição já ocupada pelo Marselha.
A formação treinada pelo espanhol Luis Enrique não terá feito mais do que a obrigação, tal a diferença de valor para os restantes candidatos (estatuto atribuído mais por cortesia do que por merecimento), como se comprova pelo facto de abrir as garrafas de champanhe a cerca de dois meses do fim da competição.
Desde o guarda-redes italiano Donnarumma até ao ataque, em que os titulares poderiam ser escolhidos através de moeda ao ar, passando por uma defesa mais sólida e um meio campo, simultaneamente, laborioso e criativo, o plantel do PSG vive, finalmente, à altura dos milhões que custou.
O equatoriano Pacho ganhou por direito próprio o lugar no centro da defesa ao lado do brasileiro e capitão Marquinhos, mas é sobre os ombros do médio João Neves que incide todo o peso dos equilíbrios da equipa e possibilita as longas correrias de Nuno Mendes e do marroquino Hakimi, dois laterais que se confundem com extremos.
A harmonia dos movimentos ofensivos resulta, em boa medida, da inspiração de outro médio português -- Vitinha -, cujas ideias luminosas têm, habitualmente, acompanhamento à altura por parte do espanhol Fabián Ruiz ou do jovem Zaïre-Emery.
Mesmo mostrando-se à altura sempre que é chamado, Gonçalo Ramos tem sido vítima da recém-descoberta vocação goleadora de Dembélé, melhor marcador da Liga francesa, com 21 golos, e figura mais destacada do ataque parisiense, apesar da recente concorrência do georgiano Kvaratskhelia e do entusiasmo de Barcola e Doué.
Após anos sucessivos de investimentos megalómanos que tiveram como retorno apenas mais um título nacional, o catari Nasser Al-Khelaïfi, presidente e 'dono' do PSG, talvez consiga agora justificar a si próprio a aposta num clube que apenas se tinha sagrado duas vezes campeão francês, a última quase duas décadas antes, com o português Artur Jorge como treinador.
Sob a orientação precisa de Luis Enrique, que está a viver uma segunda época inesquecível em Paris, esta equipa parece ter encontrado a consistência que nunca conseguiu demonstrar na era das grandes estrelas (Messi, Mbappé, Neymar) e mostra-se, enfim, capaz de cumprir o desígnio do seu proprietário: a conquista da Liga dos Campeões.
A forma como eliminou o Liverpool nos oitavos de final, há pouco mais de duas semanas, abre as melhores perspetivas.