
Foi há três anos que Alexandre Brito e Maria Nobre, pivots do programa 360º, da RTP3, protagonizaram um dos momentos mais inesperados da televisão portuguesa. A dupla de jornalistas 'viralizou' após ter tido um ataque de riso em direto, enquanto apresentava um dos noticiários da emissora pública.
Ao lado de Carlos Vidal, os dois colegas, que estão na lista do humorista para uma entrevista "desde o primeiro dia da proposta" do podcast da SIC, O Animal Que Ri, decidiram 'quebrar' o silêncio e falaram pela primeira vez sobre o insólito da qual se tornaram, sem quererem, os protagonistas.
"Falar no calor do momento só ia trazer mais lenha para a fogueira. Acho que o assunto não foi assim de uma gravidade tremenda, não havia necessidade de logo no dia a seguir estarmos a falar. Isto foi uma coisa que aconteceu, mas somos muito mais do que este ataque de riso", começou por explicar Maria Nobre.
"Tudo isto foi muito genuíno, não só o que aconteceu foi genuíno, porque nós damo-nos muito bem e estamos horas e horas em direto, momentos em dupla. E da mesma forma foi genuíno nós acharmos que 'ok, aconteceu, não devia ter acontecido, não veio nenhum mal à terra, mas não vale a pena estarmos a falar muito sobre isto'", acrescentou logo depois Alexandre Brito.
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Mas, afinal, o que esteve por detrás do ataque de riso? Eis a explicação
Alexandre Brito e Maria Nobre sentaram-se num dos estúdios do edifício da estação de Paço de Arcos para, sem rodeios, tornar pública a verdadeira razão que os levou a um ataque de riso que num ápice se tornou viral nas redes sociais no início do ano de 2022.
Segundo o relato dos jornalistas, os dois já vinham a trabalhar exaustivamente "há alguns dias". "Em nosso defesa, estávamos também cansados", adiantou logo Maria Nobre, dando a saber que já se encontravam a apresentar o jornal e que tudo se desenrolara após uma pausa.
"Temos lá um produtor que adora engordar-nos. Tem um cantinho na redação com bolachas, rebuçados, com tudo e mais alguma coisa. E nós como tínhamos aquele bocadinho fomos comer o rebuçado. Mas aquilo foi mais rápido do que estávamos à espera e de repente chamam-nos e nós estávamos com os rebuçados ainda na boca", contou a jornalista.
"Começaram a gritar [ao auricular] a dizer 'venham, que vocês têm que entrar no ar'. E nós vamos a correr um bom bocado e de repente chegamos ao nosso sítio. E na régie ainda não nos estão a ver e depois dessa corrida e de chegar a esse sítio eu digo 'o rebuçado, o rebuçado Maria' e agarrámos nos rebuçados e deitamos fora ali no momento e eles nesse preciso momento viram as câmaras para nós e dizem 'estão no ar' e foi aquilo que viste… Uma incapacidade de nos controlarmos…", complementou ainda Alexandre Brito.
Após todo o relato, o jornalista acabou por 'chegar-se à frente' e apontar-se como o 'culpado' de toda a peripécia. A justificação atribuiu-a ao facto de não se ter conseguido controlar, após todo o aparato, e ter 'soltado' um som que indicava que estaria prestes a soltar uma gargalhada.
O facto de os dois pivots terem uma boa relação desde o início do projeto em conjunto e uma equipa coesa a acompanhá-los acabou também por fazer-se transparecer naquele momento. "Estamos tão à vontade que daquela vez calhou aquele ataque de riso", notou Maria Nobre.
"E [aquele momento] só acontece porque realmente é verdadeiro, é genuíno, e isso é que faz a diferença, porque se as pessoas notassem que não fosse assim não teria o mesmo impacto", aproveitou ainda para salientar Bernardo Brito, reforçando uma vez mais a sua ideia de que algo assim nunca "devia ter acontecido".
"Lembro-me perfeitamente de me estar a rir e estar a pensar 'isto não está a acontecer, Maria controla-te, isto não está a acontecer'. Ainda por cima era o assunto que era… Uma pessoa nunca quer que uma coisa daquelas aconteça no ar", fez questão ainda de frisar Maria Nobre.
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Durante a conversa, Maria Nobre refletiu ainda sobre o facto de reconhecer que as pessoas naturalmente passaram a comentar aquilo que acontecera, o que poderia ofuscar o seu próprio trabalho como jornalista. "Não é isso que nos define, não é isso que define o nosso trabalho", destacou.
"Depois misturam-se aqui papéis, porque não é o que se quer. Nós estamos a desempenhar o nosso papel, a dar as notícias, estamos a contar a história e quando tu tens um deslize como nós tivemos, choras ou ris, começas a fazer parte da história e não é suposto os jornalistas serem a história. Nós estamos ali para contar a história da forma mais isenta possível".